sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Alegria de viver

Já faz algum tempo que vez ou outra escuto: "Vendo você com essas três crianças eu até me animo a ter um/mais... Você está sempre tão sorridente, tão alegre...". Também tenho escutado com certa frequência "você é tão guerreira / te admiro pela sua coragem". Às vezes me sinto realmente mal por comentários assim porque não me julgo merecedora. A minha luta, sacrifício ou seja lá qual nome dêem, se deve em boa parte às minhas escolhas. Saiba, querida vizinha, que sofrimento para mim seria ter um filho só, que muitas vezes é uma criança solitária e mimada. Saiba, querida companheira de ponto de ônibus, que sofrimento para mim é estar casada com um homem que não me ame e compreenda como o meu. Saiba, querida colega de faculdade, que o sorriso nem sempre espelha o quanto você está satisfeita, mas o quanto você pode lutar e correr atrás do que você quer.

Não tive três filhos pensando na luta, tive porque quis. A luta é o preço que eu pago por isso. Não comecei engenharia e larguei no meio do caminho pra começar design do zero por coragem, fiz isso porque era o que eu sempre quis ter feito, mas meu pai não me deu essa opção. Assim que encontrei a possibilidade de fazê-lo, larguei tudo pra lá sem a menor dor no coração. Eu sou muito fiel aos meus desejos e sentimentos, e muitas vezes não sei esperar pelo que quero. Vivo cada dia como se fosse o último, mesmo (obviamente dentro dos limites do bom senso), e talvez por isso mesmo a mínima coisa tenha o poder de me deixar exultante ou de me destruir. Não tenho grandes sonhos pra daqui a 10 anos, tenho pequenos sonhos pra semana que vem. Talvez por isso mesmo nunca consiga responder quando me perguntam se sou feliz. Ser feliz é tempo demais; não consigo me projetar para além do mês que vem. Estou feliz agora. Pronto.

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